domingo, 25 de setembro de 2011

Últimas horas em Viena

Já estavamos em contagem decrescente e tanta coisa havia ainda para ver...Em direcção a Karlskirche, tropeçamos no Edifício Secessão (também ai tem expostas obras de Klimt mas já não dava para entrarmos).

Karlskirche é um dos Ex libris da cidade e muito mais bonita que a Catedral, na minha humilde opinião, tanto no seu interior como o exterior. Em frente tem um pequeno lago e um jardim e um senhor toca música ... dançamos a valsa nas ruas de Viena!

Em 1713 a peste vitimava muito vienenses e o Imperador Carlos VI prometeu a construção de uma igreja dedicada a S. Borromeu, logo que a cidade ficasse livre do flagelo.
Com 72 metros de altura, a entrada principal é ladeada por duas colunas esculpidas com cenas da vida de S. Borromeu. O interior da igreja está em obras, os magnificos frescos estão a ser recuperados. Um elevador foi colocado na igreja para podermos admirar mais de perto estas pinturas magníficas. Ficamos na dúvida se este elevador está provisório enquanto decorrem as obras ou se é para ficar - uma forma de "sacar" mais algum dinheiro aos visitantes.



Para terminar a nossa visita a Viena não podiamos perder o Prater - parque de diversões. A roda gigante oferece belíssimas vistas sobre a cidade.


Sigmund Freud

Não é fácil encontrar o nº 19 da Berggasse, casa onde viveu e trabalhou Freud durante cerca de 50 anos, hoje transformada em museu. Aqui Freud tinha o seu escritório onde desenvolveu a maior parte das suas teorias e escreveu os seus livros. Alguns objectos pessoais podem ser encontrados em exposição. Na entrada o seu chapéu está colocado no bengaleiro e a sua mala de viagem está preparada.


O consultório onde atendia pacientes está repleto de fotografias com as várias passagens da sua vida. O seu famoso divã não faz parte deste espólio pois foi levado em 1938 para Londres altura em que Freud teve que sair de Viena devido à invasão nazi. Freud era judeu, tinha nessa altura cerca de 80 anos e viria a falecer um ano depois.




A sala de espera está intacta e nas paredes podemos observar vários dos seus diplomas e louvores recebidos.



Do seu casamento com Martha Bernays nasceram seis filhos, só a mais nova acompanhou o pai no seu interesse pela psicologia. Anna Freud foi pioneira na terapia infantil e fez estudos diversos sobre crianças com disturbios mentais e sem famílias.


sábado, 24 de setembro de 2011

Hofburg

O nosso último dia em Viena começou cedo. O Palácio Imperial Hofburg foi a nossa primeira visita e uma vez que se trata de um complexo de edíficios com tanta coisa para ver calculámos logo que ai iriamos passar grande parte do nosso dia.


Hofburg foi entre os anos 1278 e 1918 a Residência oficial dos Habsburgos. Ampliada ao longo dos anos hoje em dia inclui vários museus, a Biblioteca Nacional, Escola Equestre, capelas, igrejas e pátios.


A Porta Suiça é entrada para a zona mais antiga do castelo, antiga fortaleza.

No interior podemos ver uma extensa colecção de loiças, porcelanas e alguns centros de mesa, cada peça contando um pedaço da história da Austria. Um conjunto de chá oferecido pela Rainha Vitória de Inglaterra ao Imperador Austríaco. Um centro de mesa em ouro maciço utilizado para celebração de um casamento real. E, apesar de eu não ser grande apreciadora deste tipo de artigos, é impossível ficar indiferente a estas histórias que desfilam á nossa frente.


De seguida passamos aos Aposentos Reais: a residência utilizada por Francisco José e sua esposa Elizabeth (Sissi). De destacar o escritório e quarto do imperador, o quarto da imperatriz e o seu "ginásio" (era um escandalo na corte o facto de ela passar tantas horas a practicar exercício físico obcecada que era com a sua imagem).
Outra excentricidade era o facto da imperatriz ter mandado instalar em 1876 uma casa de banho - foi o primeiro membro da família imperial a fazê-lo.
Toda a história controversa desta Imperatriz é-nos contada nas salas seguintes: o Museu da Sissi.


Nasceu em Dezembro de 1837, filha do Duque da Bavaria, sobrinha do Imperador da Austria. A sua irmã mais velha estava prometida a Francisco José que não convivia com as primas não conhecendo assim a sua prometida. O encontro entre os noivos foi promovido pelas suas mães e teve lugar em Ischl no 23º aniversário de Francisco José. Elizabeth acompanhou a mãe e a irmã nessa viagem e o futuro Imperador apaixonou-se à primeira vista. Rapidamente a sua mãe alterou os seus planos e Elizabeth, embora ainda uma criança, insegura e tímida, foi obrigada a casar.
Nos meses que precederam o casamento, Sissi veio para Viena para receber preparaçao para o papel que iria passar a desempenhar. Ela no entanto, estava infeliz por deixar a família, tinha medo da vida na corte e em especial da sogra. Nos seis anos seguintes de casamento, Sissi tentou cumprir o seu dever principal: deu à luz 2 meninas e em 1858 nasce finalmente um rapaz. Em 1860, alegando razões de saúde Sissi deixa Viena e vai para a Madeira, viaja depois por Veneza e Corfu, regressando ao palácio ao fim de 2 anos. A sua relação com o marido estava para sempre alterada, Elizabeth estava magra devido às suas constantes dietas e excesso de exercício físico. Ela vivia obcecada com a sua aparência, passava horas a pentear-se e lavava o seu belo cabelo com essências e óleos misteriosos.

Em 1867 Francisco José e Sissi foram coroadas rei e rainha da Hungria, foi o seu momento alto pois a Hungria era uma causa há muito defendida por ela. Dez meses depois nasce a sua filha Marie Valerie, a sua preferida e a única cuja educação foi controlada por Elizabeth. Ambam viviam a maior parte do tempo na Hungria, longe da corte Vienense e dos outros 2 filhos (a filha mais velha tinha morrido com tenra idade) que tinham sido educados pela avó paterna. Apesar deste afastamento Sissi não estava preparada para a notícia que recebeu em Janeiro de 1889: o seu filho varão, juntamente com a sua amante de dezasseis anos, tinham-se suícidado. A sua, desde sempre personalidade melancólica, transformou-se numa depressão profunda, passou a vijar incógnita, vestia de preto e nem o nascimento de um neto por parte da sua filha preferida, lhe alegrou a vida. Tinha falhado em todos os aspectos da sua vida e até a sucessão dos Habsburgos passaria para outra linhagem. Várias vezes expressava infelicidade e vontade de terminar com a sua própria vida. Mas alguém dicidiu fazer isso por ela: em Setembro de 1898 um anarquista italiano golpeou-a no coração quando esta caminhava no cais em Génebra - Suiça.

domingo, 18 de setembro de 2011

Viena

Viena tem tanto para ver que temos que ser objectivos nas nossas visitas e não há tempo para andarmos perdidos na cidade, coisa que eu adoro fazer - arrumar o mapa e caminhar à deriva!!

Esta manhã foi dedicada a visitar o Palácio Belvedere, um complexo que é na verdade composto por 2 edifícios O Belvedere Superior e o Inferior, sendo que o primeiro é Galeria de Arte e o outro Museu do Barroco e de Arte medieval.
O Belvedere Superior era aquele que me despertava maior curiosidade: além de ser um Palácio com interiores belíssimos, é uma galeria de arte de pintores austríacos, distinguindo-se no entanto por deter a maior colecção de obras de Gustav Klimt. Provavelmente o pinto austríaco mais conhecido internacionalmente, Klimt nasceu em Viena em 1862 e é um dos impulsionadores do movimento de Secessão - movimento austríaco que pretendia sair fora dos padrões tradicionais em termos de cultura. Mais tarde projectaram e construiram inclusivé o Edifício da Secessão para que os artistas do movimento tivessem um espaço para expôr. Klimt pintava sobretudo la femme fatale e o seu quadro mais famoso é o Beijo.



Enquanto andavamos na Galeria começou a chover torrencialmente e quando atravessamos para o Belvedere Inferior apanhamos uma molha enorme. Quando finalmente demos o Belvedere por visto, tinhamos que ir ao hotel pois nós de sandalinha e calções não podiamos continuar...

Depois de roupa trocada e barriga cheia fomos procurar a famosa Catedral Stephansdom - a nossa maior desilusão em Viena. Os exteriores estavam tapados para recuperação - um mal necessário mas que não deixa de desapontar quem visita. Também não gostei da sua localização, rodeada de edificios por todos os lados - está muito claustrofóbica.
O seu interior é escuro, com imensa gente, muitas cancelas, muito comércio e com muitas dificuldades para bos movimentarmos.

Encontrarmos o Relógio Anker foi outra odisseia pois aparentemente ninguém sabia onde se situava. O famoso (ou não) Relógio é feito em bronze com 12 figuras históricas: a cada hora aparece uma dessas figuras e ao meio-dia desfilam todas elas. Várias foram as nossas tentativas para chegar um dia para o referido acontecimento mas nunca conseguimos.
Depois de mais umas voltas pelo centro da cidade bem movimentado, chegamos aos Burgtheater, talvez o mais prestigiado palco em Viena. O original foi criado durante o reinado da minha querida Maria Theresa mas em 1888 foi mudado para o edifício actual. Em 1945 foi destruído por uma bomba voltando a abrir em 1955 completamente restaurado, para deleite dos vienenses.

Por esta altura já estavamos cansados de tanto andar e aproveitámos uma feira de gastronomia internacional instalada em frente a Neue Rathaus para descansarmos e saborearmos a sangria austríaca.

Este dia só estaria completo depois de um espectáculo de música que fomos assistir na Orangerie do Palácio Schonbrunn em que a soprano principal era uma voz portuguesa - imagine-se!!


sábado, 17 de setembro de 2011

Hundertwasser

Em todos os recantos da cidade encontramos edifícios que, mesmo sem serem famosos, são belissimos! Viena é uma cidade arquitectónicamente muito rica.

Não é fácil perdermo-nos em Viena porque em qualquer esquina deparamos com um monumento, mas a verdade é que o conseguimos. Após pedir indicações em alemão (e nós não falavamos alemão) chegámos ao Parlamento (e não, esse não era o nosso destino) que também ele é uma atracção turistíca. O edifício assemelha-se a um templo grego pela sua estrutura e figuras esculpidas representanto politicos e pensadores, à frente uma fonte com a estátua de Athena - a deusa da Sabedoria.

Lá conseguimos apanhar um tram para irmos ao Hundertwasser Museum ou Kunst Haus Wien (Casa da Arte). Este é o museu que alberga grande parte da obra de Hundertwasser: tanto em termos de pintura como de arquitectura e tapeçaria. O Museu abriu em 1991 e os trabalhos de remodelação do edificio foram supervisionadas pelo artista, colocando assim em practica os seus ideias naturalistas, ecológicos e um pouco extravagantes. Hundertwasser nasceu em Viena em 1928, viajou por todo o mundo e viveu vários anos em distintos locais do planeta, inclusivé num veleiro que comprou em Itália e a que deu o nome "Regentag" ou "Rainy Day". Esta sua vida nómada, um pouco hippie até, não o impediu de ser um filósofo, um activista e um ambientalista. Reclamou o "Direito das Janelas" um manifesto em que defendia que as janelas deveriam ser personalizadas e não estereotipadas como nos é imposto. Faleceu no ano 2000 na Nova Zelândia onde vivia na altura - estava a bordo de um cruzeiro.

A 400 metros de distância da Kunst Haus Wien está a Hundertwasserhaus. Um edificio de apartamentos habitacionais e zona comercial concebidos pelo artista.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Palmenhaus - A Casa das Borboletas


O centro de Viena é enorme e com imensas coisas para ver. Para quem gosta de arte e cultura Viena é o paraíso mas para quem tem pouco tempo e tem que fazer opções é dramático! Staatsoper é o edifício da Opera de Viena por excelência - infelizmente no mês de Agosto não se realizam espectáculos nesta sala mítica. A abertura desta sala ocorreu em 1869 com uma peça de Mozart. Em 1945 foi atingida por uma bomba dos aliadas durante a ocupação alemã. Voltou a reabrir em 1955 com Fidelio de Beethoven.
Dali pedimos indicações sobre como chegar a Palm House - A Casa das Borboletas, uma vez que eu não me calava acerca do local. Uma experiência a não perder! O edifício em si junto ao Burgartten é espectacular.

Entrar no seu interior é como entrar de repente noutra realidade - noutro país - num filme: caminhamos numa floresta, no meio de flores e vegetação diversa. Borboletas de todas as cores voam em nosso redor e temos a sensação de que a qualquer momento alguma delas vai chocar connosco. O calor é insuportável. A humidade transporta-nos para as Caraíbas(26ºC 80% humidade. E é impossível não ficarmos fascinados quando deparamos com estas borboletas de mil imobilizadas à espera de serem fotografadas. Tive até a experiência de ter uma delas pousada na minha mão... WOW!




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Schonbrunn Palace

Muitas vezes referido como o Palácio da Sisi, em Schonbrunn vivemos a história de 2 imperatrizes separadas por quase cem anos no tempo e por personalidades tão díspares: Elizabeth (ou Sisi como era conhecida) e Maria Theresa. Na verdade foi esta última que, sob a sua supervisão, mandou construir o Palácio (num espaço que funcionava como casa de caça) e o tornou em Residência Oficial dos Habsburgs - esta empreitada começou em 1743 e terminaria em 1749.

Neste Palácio percorremos a história e personalidade fascinante de Maria Theresa que nasce em 1717 fruto de um casamento feliz mas sem herdeiros masculinos. Com 6 anos de idade apaixona-se por Franz Stephan que tinha 15 anos na altura e que viria a ser o grande amor da sua vida. Casam em 1736 com o consentimento do imperador que morre 4 anos mais tarde deixando a sua filha envolvida numa guerra de sucessão. Só em 1748 seria posto um fim a este conflito e Maria Theresa seria reconhecida internacionalmente como sucessora de seu pai. Reformista, empreendedora e diplomata seriam algumas das qualidades que marcaram o seu reinado. Sem ambições politicas o seu marido permaneceu sempre na sua sombra ficando a seu cargo as questões financeiras e económicas do reino. Em 20 anos de casamento tiveram 16 filhos dos quais só 4 rapazes e 6 raparigas chegaram à idade adulta. Incongruente com a sua opção pessoal, todos os seus filhos tiveram que se submeter aos casamentos por ela arranjados tendo em vista interesses políticos e, só a sua filha favorita, pode casar por amor. Desta descendência há a destacar o filho que viria a ser o seu sucessor (Joseph II) e Maria Antónia (a filha mais nova) que casou com o futuro Louis XVI de França em Versailles passando a ser conhecida como Marie Antoinette. Com um final trágico viria a ser a última rainha de França, morta na guilhotina.
Em 1765 Franz Stephan morre de um ataque cardíaco em Innsbruck durante os dias de celebração do casamento de um dos seus filhos. Durante dias Maria Theresa fechou-se no quarto sem falar com ninguém, deu todos os seus vestidos coloridos e usou preto até ao final da sua vida. Transformou a sala onde o seu marido faleceu numa capela onde todos os anos na data da sua morte ainda hoje se celebra missa. Anos mais tarde encontrou-se no seu livro de orações um pedaço de papel onde contabilizava ao segundo os seus momentos de casamento feliz: "29 anos, 6 meses, 6 dias, ou seja, 29 anos, 335 meses, 1.540 semanas, 10.781 dias, 258.744 horas..."
Na arte Maria Theresa era aficionada pelo oriente: decorações indianas e porcelanas chinesas, como se constata em Schonbrunn por 2 salas conhecidas como "Gabinetes Chineses" usados pela Imperatriz para receber pequenos grupos de amigos e jogar às cartas.

A "Great Gallery" com um comprimento de 43 metros era utilizado para bailes, representaçoes de teatro e ballet algumas delas feitas pelos seus filhos.

A Imperatriz Sisi chega a Schonbrunn em 1854 e não são muitas as memórias que dela perduram neste Palácio. Em 1859, devido a uma crise conjugal, Sisi foge para a Madeira onde fica durante um ano. A partir dessa data viaja bastante e a sua ausência em Schonbrunn é bastante notada.
A sua beleza é bastante admirada levando a alguns comportamentos obsessivos: muitas horas de exercício físico para manter a silhueta e várias horas para se arranjar e pentear, daí a importância do "Dressing Room" da Imperatriz.

Mas vamos deixar a história de Sisi para outro artigo e dar um breve passeio pelos belos jardins do Palácio antes de nos perdermos noutras paragens de Viena.

sábado, 10 de setembro de 2011

Melk

A 60km de Viena, fica a Abadia de Melk, situada numa montanha junto à margem do Danúbio, facilmente avistável ao longe. Edificada por monges Beneditinos no séc. XI, várias vezes foi destruída (por razões diversas: incêndio, invasões turcas, etc.) e reconstruída, sendo a sua última remodelação iniciada em 1975 e terminada em 2001.

Hoje em dia funciona como museu com vários artigos e quadros de arte sacra.
O Salão de Mármore funcionou em tempos como salão de recepções e tem uns frescos maravilhosos carregados de simbolismos.

A Biblioteca de Melk está considerada entre as 20 bibliotecas mais bonitas do mundo e é efectivamente uma pequena preciosidade. Com cerca de 100.000 volumes, arrumados por temas como Teologia, Direito, Medicina e Astronomia, entre outros, a sua decoração é sóbria e simples em talha de madeira mas com uns frescos magnifícos.

Uma escadaria em espiral que parece infinita liga a Biblioteca à Igreja.

Também a igreja-mosteiro desta Abadia é esplêndida em estilo barraco, com muita luminosidade.

Em jeito de resumo:esta Abadia é muito maior do que imaginávamos, um local que descobrimos através do Guia da American Express e que nem sabiamos existir mas que viemos a constatar estava repleto de turistas de todas as nacionalidades. Como é que esta gente descobre estes locais??
Era quase final de tarde quando deixámos Melk com tempo suficiente para disfrutar de um gelado na esplanada e rumar em direcção a Viena onde tinhamos horário para entregar o nosso carrinho!!

Mauthausen

Esta foi uma visita com uma grande carga psicológica! Ninguém consegue ver aquele espaço, sabendo as atrocidades que ali se cometeram e fazê-lo de ânimo leve. Como é que nós permitimos que tal acontecesse num passado tão recente?? E como relembrar é ajudar a que não se repita aqui vai...

Durante a ocupação alemã na Austria foram construídos cerca de 50 campos de concentração. A sua maioria foi destruída no pós guerra tendo nalguns locais sido mantidas placas de memorial. Mauthausen foi conservado e conta-nos a sua história que é ligeiramente diferente daquela de outros campos. Este não tinha como principal objectivo o extermínio de judeus mas sim o acolhimento de presos politicos.

Para aqui eram enviadas as pessoas das classes altas, com mais cultura e maior grau de educação dos países que a Alemanha ia ocupando. Os prisioneiros usavam ao peito placas identificativas dos seus países de origem e dá para perceber que por aqui estiveram muitos espanhóis. Pensa-se que 90% dos espanhóis capturados terão sido enviados para Mauthausen.
Aqui os prisioneiros eram usados como mão de obra: fabrico de armas, munições, peças de aviões e principalmente para trabalhar na pedreira. Eram obrigados a carregar pedras de 50kg em fila, numa escadaria de 186 degraus. Alguns homens tombavam exaustos, derrubando como consequência os seus companheiros, num efeito dominó. Este local ficou conhecido como a "Escada da Morte".

Inicialmente este campo não tinha câmaras de gás, prisioneiros sem capacidades físicas para continuar a desempenhar trabalhos eram mortos com injecções e cremados.

Em 1941 foi instalada a 1ª câmara de gás com capacidade para 120 pessoas.

Outros métodos eram utilizados para matar prisioneiros dos quais eu realço os que mais me impressionaram:
- experiências médicas: aos prisioneiros eram inoculados o vírus da tifo e cólera para experimentação de vacinas
- prisioneiros obrigados a caminhar em direcção à vedação electrificada - sendo que esses estatisticamente não contavam como homicídios mas sim como suicídio, alegando que estavam a tentar fugir.
Mauthausen foi dos primeiros campos de concentração nazi e o último a ser libertado, em 5 de Maio de 1945, quando as tropas aliadas entraram pelo portão principal.

No final é impossível não deixar de pensar naqueles que morreram alguns dias antes desta data... e esse é o meu principal pensamento... para com aqueles que estiveram tão perto da salvação...